O distanciamento social colocou um problema para quem tem a missão de evitar ou amenizar a dor, mas esta realidade tem mudado. Autorizados por uma portaria do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), publicada no fim de março, profissionais do setor começam a se adaptar para atender pacientes à distância.

Em Juiz de Fora, uma clínica passou a capacitar fisioterapeutas e iniciou os primeiros atendimentos na última semana. A preocupação é não deixar pacientes desassistidos.

“A fisioterapia sempre foi proibida de usar meios de telecomunicação. É um atendimento muito presencial, é o fisioterapeuta e o paciente. Com o coronavírus, as clínicas foram fechadas, mas o paciente precisa de orientação. Pode usar um gelo? Fazer um alongamento todo dia? E se fizer, vai fazer certo? Precisa de alguém olhando e corrigindo”, destacou a empresária do setor, Patrícia Cardoso.

A resolução nacional vai atender a três tipos de atendimento, desde o primeiro contato até atividades em grupo, pelo menos durante o período de confinamento.

“Vai poder fazer a teleconsulta, para avaliar se é um caso de prescrição biomecânica ou se vai precisar de um médico. A segunda modalidade é o telemonitoramento, quando o paciente já foi teleconsultado e o fisioterapeuta vai guiando os movimentos que ele vai fazer, com as correções pertinentes, o que também pode ser feito por pequenos vídeos, personalizados para cada paciente, que obrigatoriamente terá um prontuário regido por um plano de tratamento: pacientes crônicos, idosos, com bronquite, asma, tem várias coisas que podemos ensinar e monitorar à distância sem o menor risco e trazendo benefícios. A última modalidade é a teleconsultoria, que é quando você faz fóruns ou palestras, como para um grupo de grávidas, e fala sobre referenciais teóricos usando base científica”, enumerou a empresária.

Para os profissionais do setor, o desafio está na boa comunicação: é necessário verbalizar as orientações, que normalmente são presenciais e com contato direto com os pacientes.

“É hora de pensar fora da caixinha, de nos reinventarmos. Fomos ensinados a atender o paciente usando o contato físico, as nossas mãos. Mas não podemos esquecer que também temos voz e podemos fazer o contato com ela. Creio que as dificuldades serão só no início, até nós nos acostumarmos a usar nossa voz e nossa expressão corporal em vez das nossas mãos. Os pacientes estão gostando da novidade e como o acompanhamento continua sendo de pertinho, mesmo com a distância, os resultados estão sendo muito positivos”, afirmou a fisioterapeuta Karine Carvalho.

Para Patrícia, a autorização dada pelo Conselho dá alento a pessoas que convivem com dores ou limitações e que agora podem se beneficiar da aproximação permitida pela tecnologia.

“Não precisa ficar com dor dentro de casa. Não precisa sentir dor no ombro, torcicolo, na coluna, ficar sem se tratar. Temos como ajudar”, encerrou.

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